Lixos Contemporaneos
Limpos e silenciosos são meus resíduos cotidianos.
Descartados pelo automático clicar do indicador. INBOX. SPAM. DELETE.
Invisíveis, porque não-vistos, não-lidos, não-respostas. Simples, porque banais elementos estruturantes da sociedade contemporânea – que se estrutura pelo que descarta!
Minhas embalagens são lavadas, separadas e tornam-se desconhecidas na lixeira pública. A partir daí, já não sei para onde vão. Tampouco me interessa!
Lixo é doença, seja no aterro, seja na caixa de entrada.
Minhas fotos desfocadas, desenquadradas, escuras… minhas fotos do nada, são resíduos que não pertencem mais à minha memória. RAM. Meus lixos imagéticos, memórias excluídas de momentos que não quero, de discursos que não concordo, de dês-dizeres que são melhores apagados porque não significam mais nada.
A ressignificação de conceitos podres, os floreios dos poemas inócuos, os pomposos manifestos do vazio. Lixos de letreiros, palavras escassas em guardanapos babados!
Os restos do meu corpo social é o luxo do lixeiro!
Alguma coisa da latinha de cerveja permanece nessa capa politicamente correta do contemporâneo: o descascar do alumínio. Algum vestígio do original permanece nas infinitas cópias e re-cópias das mentes multimídias.
As regras que estruturam o habitus são recicladas, antigas revoluções tornam-se a bulimia da mediocridade.
E me refestelo me deleito e me sujo nesse lixo visual. Lixo histórico. Lixo artístico. Lixo Informativo.
A ignorância, a falta de perspectiva é uma grande lixeira de nossa época. Uma geração inteira com preguiça de conhecer torna-se indigente dos lixões da história, que entre abutres, comem os restos alheios sem se importar com a procedência.
Apesar de suja, porém não fedida, me perco e me encontro nos Lixos Contemporâneos…
Vanessa Cavalli – 26/04/2009

bravo! \o/ \o/ \o/
nosso precioso lixo eletrônico… 30 minutos depois de recebido mal podemos lembrar do que se tratava pra comentar com os amigos
caaaaalma, agora vc tem TWITTER pra direcionar instantaneamente!!!!